Book Trailer – Sozinho no Deserto Extremo

Sozinho no deserto extremo 2

 Luiz Bras lança, pela Editora Prumo, o romance Sozinho no Deserto Extremo. O livro explora o complexo estado psicológico causado pela solidão, não somente a metafórica, que é como o “sentir-se sozinho na multidão”, mas a real situação de estar só, em um mundo despovoado, sem ninguém em quem espelhar.

Nelson de Oliveira troca de nome e estilo

Sozinho no deserto extremo
Luiz Bras
R$34,90

Sozinho no deserto extremo é o primeiro romance adulto de Luiz Bras.

Pela orelha do livro, sabe-se que o romancista estreante tem 44 anos, nasceu no Mato Grosso do Sul, é doutor em letras pela USP, adora animações e acredita em telepatias e universos paralelos. E que tem o rosto do escritor Nelson de Oliveira.

Talvez o mais correto fosse dizer que Nelson de Oliveira é que tem o rosto de Luiz Bras.

A troca de identidade começou em 2006. Oliveira, paulista de 46 anos, contava mais de dez anos de carreira e inúmeros prêmios literários quando foi acometido de cansaço criativo. Sentiu que nada mais tinha a dizer.

Deparou-se, então, com um dilema: ou pendurava as chuteiras ou criava um alter ego literário.

Seguiu por este caminho. A escolha de seu novo “eu” foi simples. Luiz vem de seu próprio nome, Nelson Luiz Garcia de Oliveira. Bras satisfez o seu desejo por um nome curto, sonoro e que fizesse referência ao Brasil.

Por quatro anos, os dois tentaram conviver sob uma regra rígida. Oliveira ficaria com a produção acadêmica e a organização de antologias; Bras, com a ficção.

Nesse período, Bras publicou livros de contos (“Paraíso Líquido”), crônicas (“Muitas Peles”) e infantis (“A Menina Vermelha”).

Oliveira ainda publicaria alguns títulos, inclusive o romance “Poeira: Demônios & Maldições”, mas, em meados de 2010, já era “coisa do passado”. “Até brinco que o Nelson de Oliveira se aposentou definitivamente e está gozando merecidas férias no Caribe”, conta ele.

FOCO NA TRAMA

Hoje, Bras não só aparece na capa dos livros. É assim que o escritor se identifica nos e-mails, no blog e na caixa postal do celular. Às vezes, por engano, até assina cheques e contratos como se fosse o alter ego.

A mulher e a filha ainda o chamam de Nelson (e de um apelido que não revela nem sob tortura), mas, para alguns amigos, Nelson já é Luiz.

“Eu fico treinando para não confundir os nomes”, conta o escritor Marcelino Freire. “Temos que respeitar o desejo dele. Eu brinco que é como o caso de um travesti: depois de toda a preparação, você não pode chamar a Pâmela de Paulão.”

“Sozinho no Deserto Extremo” foi a prova de fogo da troca de nome e resultou na vitória definitiva do alter ego.

Em termos literários, Oliveira e Bras são tão divergentes quanto o dr. Jekyll e o mr. Hyde do livro “O Médico e o Monstro”. Oliveira, influenciado pelo movimento concretista, priorizava os aspectos formais da linguagem. Bras, fã de ficção científica, preocupa-se, sobretudo, com o enredo dos livros.

“A simples mudança de nome teve um efeito que me impressionou. O Luiz virou a razão de ser da minha literatura”, diz.

No romance, o publicitário Davi acorda certa manhã e nota que está sozinho –em casa, na cidade e, talvez, no mundo.

Vagando por uma São Paulo devastada, enfrenta a sensação da “solidão concreta”.

O poeta francês Mallarmé, citado por Oliveira em “Poeira”, cede espaço para autores de ficção científica como Ray Bradbury e filmes como “O Sexto Sentido” (1999), “Os Outros” (2001) e “Vanilla Sky” (2001),

“A questão da trama para mim é hoje central. Não acredito mais na pura linguagem”, diz.

Após quase 45 anos com o nome antigo, o escritor quer seguir por esta tendência no segundo tempo de sua vida. Pelo menos até Oliveira resolver voltar do Caribe.

Fonte: Folha de São Paulo